Fiquei feliz por ter colocado meus pés em solo desconhecido, havíamos chego a HeartLess, paramos quase embaixo da enorme e velha placa de boas vindas.
Era difícil não sentir, assim como a chuva, existia uma coisa mágica no ar, a neblina parecia uma porta para outro mundo, ela era densa e mal dava para enxergar meus pés. O tempo sempre chuvoso era maravilhoso pra mim. Fechei os olhos para respirar.
-- Vamos andando? - A voz do Gabriel saiu quase que não saindo, como se ele também tivesse sentindo os meus calafrios.
-- Vamos sim, odeio a outra entrada, sempre tem algum guarda idiota que pede pra ver os documentos do carro, nunca acreditam que jovens gostam dessa cidade. - Respondi ignorando minha falta de voz também.
Fui andando devagar. Essa estrada era estreita e estava cheia de galhos de árvores, algumas plantas caiam formando uma passagem quase que secreta, essa era a verdadeira entrada de Heartless, a outra foi criada para facilitar o acesso e trazer um fluxo maior para a cidade, era um corredor assustador, as arvores caídas que mais pareciam enormes braços que tampavam o caminho. Um vento frio tocou meu rosto e bagunçou meu cabelo, a neblina foi despedaçada por ele feito uma faca afiada.
Andamos sem dizer uma palavra, cada um olhava o que mais lhe chamava atenção, a não ser o Jonathans que viveu aqui durante cinco anos, ele conhecia tudo, e todas as coisas que sei dessa cidade são culpa dele. Tudo para mim era encantador, já havia estado em HeartLess algumas vezes na minha infância, mas eu não entendia absolutamente nada sobre a grandeza e a maldade desse lugar, o que me interessava era tomar sorvete na pracinha e ver as crianças do colégio de freiras com suas roupas engraçadas levarem palmadas com réguas de madeira.
Pude ver a linha de trem, mais velha talvez que a própria cidade, alguns vagões do trem estavam separados e soltos pelos trilhos, olhar para eles muito tempo me fez ter a impressão de que em cada janela, existia alguém me olhando, acenando pra mim. A madeira rangia e os metais oxidados reproduziam um som tipicamente amedrontador, esse som ecoou até mim me fazendo respirar profundamente.
Logo depois dos trilhos, pude avistar o cemitério, fui tomada por um sentimento curioso, algo que me puxava dos pés até o último fio do meu cabelo, uma energia viva e triste, algo me preencheu, dando-me algo novo. A cidade era pequena, havia cerca de cinco mil habitantes no máximo, consegui ver o quartel e a praça, me senti completamente perdida com tantas informações, meus olhos fotografavam o lugar, como se meu cérebro mapeasse o local, igual a um GPS, senti algo ruim, senti que tinha que parar por alguma coisa, algo me prendeu ali. Por um instante, um pequeno filme surgiu diante dos meus olhos.
Era difícil não sentir, assim como a chuva, existia uma coisa mágica no ar, a neblina parecia uma porta para outro mundo, ela era densa e mal dava para enxergar meus pés. O tempo sempre chuvoso era maravilhoso pra mim. Fechei os olhos para respirar.
-- Vamos andando? - A voz do Gabriel saiu quase que não saindo, como se ele também tivesse sentindo os meus calafrios.
-- Vamos sim, odeio a outra entrada, sempre tem algum guarda idiota que pede pra ver os documentos do carro, nunca acreditam que jovens gostam dessa cidade. - Respondi ignorando minha falta de voz também.
Fui andando devagar. Essa estrada era estreita e estava cheia de galhos de árvores, algumas plantas caiam formando uma passagem quase que secreta, essa era a verdadeira entrada de Heartless, a outra foi criada para facilitar o acesso e trazer um fluxo maior para a cidade, era um corredor assustador, as arvores caídas que mais pareciam enormes braços que tampavam o caminho. Um vento frio tocou meu rosto e bagunçou meu cabelo, a neblina foi despedaçada por ele feito uma faca afiada.
Andamos sem dizer uma palavra, cada um olhava o que mais lhe chamava atenção, a não ser o Jonathans que viveu aqui durante cinco anos, ele conhecia tudo, e todas as coisas que sei dessa cidade são culpa dele. Tudo para mim era encantador, já havia estado em HeartLess algumas vezes na minha infância, mas eu não entendia absolutamente nada sobre a grandeza e a maldade desse lugar, o que me interessava era tomar sorvete na pracinha e ver as crianças do colégio de freiras com suas roupas engraçadas levarem palmadas com réguas de madeira.
Pude ver a linha de trem, mais velha talvez que a própria cidade, alguns vagões do trem estavam separados e soltos pelos trilhos, olhar para eles muito tempo me fez ter a impressão de que em cada janela, existia alguém me olhando, acenando pra mim. A madeira rangia e os metais oxidados reproduziam um som tipicamente amedrontador, esse som ecoou até mim me fazendo respirar profundamente.
Logo depois dos trilhos, pude avistar o cemitério, fui tomada por um sentimento curioso, algo que me puxava dos pés até o último fio do meu cabelo, uma energia viva e triste, algo me preencheu, dando-me algo novo. A cidade era pequena, havia cerca de cinco mil habitantes no máximo, consegui ver o quartel e a praça, me senti completamente perdida com tantas informações, meus olhos fotografavam o lugar, como se meu cérebro mapeasse o local, igual a um GPS, senti algo ruim, senti que tinha que parar por alguma coisa, algo me prendeu ali. Por um instante, um pequeno filme surgiu diante dos meus olhos.